quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Sarney é citado em gravação que motivou prisão de Delcídio





Lobão-e-SarneyO pedido do Ministério Público Federal (MPF) para prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi baseado em um áudio gravado pelo filho de Nestor Cerveró, Bernardo, durante encontro com o parlamentar no Hotel Maksoud Plaza em São Paulo. De acordo com investigadores, o senador tentava obstruir o trabalho da Justiça ao se aproximar de pessoas investigadas na Lava Jato.

Uma gravação com 1 hora e 35 minutos revela como o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral ofereceu R$ 50 mil mensais ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fechasse acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. No diálogo ocorrido no dia 4 de novembro em um quarto do hotel Royal Tulip, em Brasília, o petista também propôs ao filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, que, se o ex-diretor realmente optasse por um acordo com os procuradores da República, ele não o citasse.

O documento do MPF, já disponível na internet, afirma que Delcídio “prometeu movimentar-se politicamente para ajudar Nestor Cerveró e sugeriu que a família também procurasse Renan Calheiros e José Sarney. Segundo o MPF, Delcídio teria prometido movimentação política para ajudar a salvar Cerveró da cadeia.

Em outro trecho da gravação, o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro,  pergunta se Delcídio pode pedir ao ex-senador José Sarney (PMDB-AP) que interceda junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que livre seu cliente da prisão.

Ex-diretor da Petrobras no governo Fernando Henrique, Delcídio trabalhava em sua equipe com Cerveró e Paulo Roberto Costa. Quando o PSDB perdeu a eleição, Delcídio migrou para o PT. Paulo Roberto, de sua equipe, virou diretor e Cerveró foi para a área internacional da Petrobras.

Denúncias

Recentemente, Delcídio fora citado na delação do lobista Fernando Baiano. Segundo Baiano, Delcídio recebera US$ 1,5 milhão em propina nas negociações envolvendo a refinaria de Pasadena para utilizar em sua campanha eleitoral do ano passado. Delcídio disputou o governo de Mato Grosso do Sul e perdeu.

Foi graças a Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, que o STF decidiu pela prisão de Delcídio na Lava Jato. Bernardo, que é ator e produtor artístico, foi procurado pelo senador petista e ouviu, sem contestar, a proposta de Delcídio para que Nestor Cerveró não o denunciasse numa colaboração premiada. Em troca, Cerveró teria fuga garantida do país e um “mensalinho” de R$ 50 mil. Bernardo gravou o encontro, em que a proposta criminosa foi feita, com Delcídio e passou o material ao Ministério Público.

Trecho em que Delcídio fala sobre a influência no Supremo e cita ministros como Dias Toffoli, Edson Fachin e Gilmar Mendes:

Delcídio: Agora, Edson e Bernardo, eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora. Eu conversei com o Teori, conversei com o Toffoli. Pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar [Mendes], o Michel [Temer] conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o [Jorge] Zelada E eu vou conversar com o Gilmar também.
Edson: Tá…

Delcídio: Porque o Gilmar, ele oscila muito. Uma hora ele tá bem, outra hora ele tá ruim, e eu sou um dos poucos caras…
Edson: Quem seria a melhor pessoa pra falar com ele? Renan [Calheiros], ou [José] Sarney?
Delcídio: Quem?
Edson: Falar com o Gilmar.

Delcídio: Com o Gilmar, não. Eu acho que o Renan conversaria bem com ele.
Edson: Eu também acho, o Renan. É preocupante a situação do Renan…
Delcídio: Eu acho que.. Mas por quê? Tem mais coisas do Renan? Não tem…

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