quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Ministério bloqueia seguro defeso e atinge 32 mil pescadores no Piauí

Eles recebem o benefício durante o período em que a pesca é proibida.
Federal de Pescadores teme danos ambientais e econômicos com bloqueio.

Do G1 PI
O Ministério da Agricultura bloqueou por 120 dias o pagamento do seguro defeso. No Piauí, a decisão do Governo Federal surpreendeu os pescadores e deve atingir 32 mil pessoas que dependem do benefício no período da piracema, conhecimento como a desova dos peixes.

Todo ano a pesca é suspensa por quase cinco meses, durante o período de reprodução de algumas espécies. Aqueles cadastrados nas cooperativas como pescador artesanal ganha um salário minímo por cada mês parado, chamado de seguro defeso.

Segundo o vice-presidente da Fundação Rio Parnaíba, Carlos Máximo de Carvalho, o Governo Federal perdeu o controle de saber quem recebe o seguro é realmente dependente da pesca. No Piauí, os 32 mil pescadores artesanais cadastrados deveriam ganhar R$ 100 milhões este ano, no período em que a pesca esteve proibida.

A primeira parcela do Seguro Defeso deveria ser paga ainda esta semana, mas ninguém vai receber. "Por hora esta portaria pediu  um tempo para classificar os beneficiados e levantar quantos meses parados, porque tinha se perdido o controle. Então eu acredito que a qualquer momento o seguro deva voltar para os pescadores artesanais", explicou Carlos Máximo.

A novidade preocupa a Federação dos Pescadores do Piauí, que tem buscado uma solução junto ao Ministério da Agricultura. Para o vice-presidente da federação, Giordane Dória Silva, os impactos ambientais e econômicos são as consequências se a suspensão for mantida.

"Como o Piauí está meio que escasso em relação as espécies de peixes existentes no estado, o que pode acontecer é diminuir mais ainda. Os pescadores locais não tem muito o que pescar e com este seguro defeso suspenso, eles voltam a trabalhar no período de desova dos peixes. Possivelmente o impacto será muito grande. Em relação as pequenas áreas, o benefício faz com que a economia de povoado como Bocaína e Curimatá circule e agora sem ele teremos um problema financeiro", pontuou.

A pescadora Ledionora Cardoso conta que a pesca tem sido o sustento da família desde criança e não sabe o que fazer com o corte do seguro. "Eu trabalho desde 10 anos com isto, comecei ajudando os meus pais e fui cadastrada na colônia em 1995. Se não fosse a pesca, nem sei como iria viver, porque outro emprego não tem. Como é isto que eu sei fazer, quero continuar", declarou.
Os pescadores alertam que vão continuar pescando enquanto não tiver o benefício. "Hoje precisamos pescar bastante para conseguir o sustento da família. Não está fácil para ninguém", disse o pescador Antônio Francisco Pereira.

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