Há um mês começaram vários focos de incêndio na Terra Indígena (TI) dos Awá, no Maranhão. Começou na TI Alto Turiaçu e foi para as TIs Awá e Caru, onde vivem os índios Awá Guajá. Fiz reportagem sobre eles junto com Sebastião Salgado em 2013 chamada “Paraíso Sitiado”. O governo tirou de lá os grileiros, mas há uma forte suspeita de que o incêndio seja parte de uma revanche. Agora o local está sitiado pelo fogo. Os Awá dependem dessas terras porque são caçadores, coletores, e há indivíduos do grupo que permanecem isolados, sem contato com os não indígenas. Recentemente outra Terra Indígena, no Maranhão, onde há várias etnias, a TI Arariboia perdeu 220 mil hectares em incêndio. Assim, são quatro as terras indígenas do Maranhão atingidas por incêndios.
As notícias mais recentes são alarmantes. O incêndio já teria chegado à comunidade de Juriti, onde vivem quase 400 remanescentes da tribo. Eu estive lá e sei que essa comunidade e os funcionários da Funai precisam de muito apoio para enfrentar um problema deste tamanho. Os Awá e os funcionários da Funai têm trabalhado praticamente sozinhos tentando apagar o fogo.

A floresta que está em chamas é um dos poucos fragmentos que sobraram da Amazônia no Maranhão, uma terra devastada pelo desmatamento descontrolado e a grilagem que sempre contou com a omissão oficial. (O Globo)