O Brasil está mudando. Não se pode mais afirmar que cadeia foi feita apenas para negros e pobres. Executivos de empresas multinacionais estão na prisão e no Maranhão estão presos uma ex-prefeita e o Chefe da Casa Civil do governo Roseana Sarney. Podemos até lamentar por eles, mas ao mesmo tempo em que lamentamos precisamos entender que hoje aqui também se faz Justiça.

Uma multidão de empobrecidos pagava um preço muito alto pelo luxo desmesurado, pela riqueza de empresários e homens públicos. Pagava com a carne, com a fome, com a falta de educação, o analfabetismo e o desmantelamento do setor de saúde. A balança da Justiça, finalmente, parece menos pesada e não pende apenas para um lado. Permita-se, agora, que a função pública seja exercida por homens probos, que não sejam de corrupção e violência todas as notícias nas páginas dos jornais, blogs e sites.

Que não se ofendam mais os princípios básicos da administração pública – Legalidade, Impessoalidade, Publicidade e Eficiência. O efeito disso será histórico para este país. As autoridades já não se sentirão tão à vontade para a prática do patrimonialismo que tem arrastado o país num lamaçal de vergonhas e misérias. É o caminho para que se ponha fim aos propinodutos, para que não afundem mais o país numa crise econômica que, afinal, podia não existir.

Não vamos esquecer que atos como esses atiraram muitos países na guerra civil, na desobediência coletiva e acabaram abrindo espaços para as tiranias e ditaduras. É triste porque, no fim, o sentimento mais inerente ao homem é a liberdade. No Hino Nacional brasileiro está escrito: “Verás que um filho teu não foge à luta”. Na bandeira brasileira “Ordem e Progresso”. Mas não haverá ordem e progresso enquanto suspeitarmos que aqueles que elegemos são desonestos ouque é culpa das autoridades a fragilidade das instituições públicas.

Pior é essa sensação de que todas as soluções até agora apontadas para resolver a crise econômica no país e a crise moral servirão para sufocar ainda mais o povo, contribuindo para o desemprego e o desamparo da população. Não devemos, no entanto, nos deixar abater por isso. Este é um país de paz e a paz é o melhor caminho para resolver nossos conflitos. Estão nas prisões alguns dos homens mais ricos e importantes deste país. Isso parecia impossível, mas o Brasil está mudando. (Editorial do JP)