quinta-feira, 16 de julho de 2015

comunicador, o religioso e a rola


Publicada em 16/07/2015 às 00:30:13

Por: Leonardo Rodrigues
Em meados do mês passado, o jornalista Ricardo Boechat ganhou destaque nas mídias e redes sociais após sugerir ao pastor Silas Malafaia procurar uma “rola”. No programa de rádio do dia 19 de junho, comandado pelo comunicador, o assunto tratado era a agressão sofrida por uma menina carioca por causa de sua religião. Porém, após seus comentários, o âncora do Jornal da Band tomou ciência de críticas sofridas pelo religioso no Twitter. O que se seguiu foi um Boechat afirmando que não daria “ibope” a Malafaia. Mas, para isso, gastou cerca de 4 minutos de seu programa de rádio.

Enquanto uns riam e outros se chocavam, todos repercutiam a recomendação do comunicador para o religioso procurar uma “rola”. Nada mais se falou da menina agredida e tão pouco algo relevante na discussão sobre intolerância – tema esse em que há necessidade urgente de um debate com seriedade, pois também permeiam nele confusões constantes entre ser de fato intolerante e ser livre para manifestar e uma opinião própria (sem ser imposta pelo Estado, religião ou modinhas). Mas isso é outro assunto.

O que fazer quando assuntos periféricos ganham enfoque maior que o tema tratado? Quando a pauta se perde na prolixidade dos personagens? Aprendi que cabe ao profissional ter o discernimento para manter fidelidade à pauta e não se deixar levar por distrações ou lábia do entrevistado e/ou de personagens próximos ao assunto proposto.

Espera-se “pulso firme” daqueles que estão no comando de um veículo de comunicação. Haja vista que funções como a de editor, ou âncora de um programa, requerem maturidade e tarimba dos profissionais mais experientes.

Postura

Pode parecer piegas, ou mesmo chata, uma critica à postura de um profissional que fez o que muitos poderiam querer. Isso é fácil deduzir, pois hoje tudo parece muito polarizado. Sempre precisa se estabelecer um protagonista e um antagonista. Porém, a definição de mocinhos e bandidos depende da ótica de quem vê. Boechat, como Malafaia, tem seus admiradores e aqueles que não se colocam em tal posição. Isso é natural.

Como o espaço aqui não tem o intuito de analisar o modus operandi eclesiástico de nenhum líder religioso, que se observe a postura do comunicador. Nesta vertente, a pergunta é: o que revela o frisson nas redes sociais com a sugestão do comunicador? Haveria algum efeito colateral na postura do jornalista nas gerações de novos profissionais?

Primeiro, a discussão sobre intolerância religiosa e a agressão que a menina sofreu se perderam em segundo plano. Ninguém repercutiu a pauta do programa. Segundo, Boechat, que afirmara não querer servir de palanque para Malafaia, doou quase quatro minutos de seu programa de rádio repercutindo o nome do líder religioso.

Em terceiro, mas não menos importante, Boechat infelizmente contribuiu com a era em que discussões são feitas a partir de frases de efeito. Costumo dizer que frases de efeito são similares a um tapa na cara, que poder arder, impressionar ao fazer barulho, mas dificilmente derruba alguém. Há certa tendência em confundir achismo com opinião e frase de efeito com argumento.

Tendências

O jornalista Steve Turner, da revista “Rolling Stone” e do jornal “The Times”, publicou recentemente no Brasil seu livro “Engolidos pela Cultura POP”. Nele, Turner considera que os jornalistas evidentemente buscam imparcialidade, exatidão, perfeição e equilíbrio, mas existem decisões conscientes e inconscientes que geralmente impedem que isso aconteça.

Ao abordar sobre suposições no jornalismo, ele comenta que editores e escritores apresentam suas tendências desde o começo por meio do que incluem e excluem em suas publicações. O que cabe também a apresentadores, sejam eles de rádio ou TV.

Turner cita em seu livro o jornalista Carl Bernstein, do “Washington Post”, famoso por sua cobertura da história de Watergate em 1970, que certa vez disse: “Nessa cultura de jornalismo instigante, estamos ensinando nossos leitores e nossos espectadores que o trivial é significativo, que o lúgubre e o insano são mais importantes do que notícias reais. Nós não servimos aos nossos leitores e espectadores; nós os alcovitamos (…). Em resumo, estamos no processo de criar o que merece ser chamado de uma cultura idiota (…). Pela primeira vez em nossa história, o estranho e o grosseiro estão se tornando nossa norma cultural, até mesmo nossa identidade cultural.”

Segundo o autor do livro, a mudança para o que tem sido chamado de “entretenimento informativo” significa que o trivial é geralmente colocado lado a lado com o importante e aquilo que é meramente engraçado, com o que realmente afeta a vida, como se fossem igualmente significativos.

No livro The Image, Daniel Boorstin cita que o jornalismo era um registro de acontecimentos que visava a aumentar o entendimento, mas passou a ser uma fabricação de acontecimentos para potencializar a diversão, o entretenimento. Com isso, assuntos relevantes, como a agressão da menina no Rio de Janeiro, ficam de lado.

Boorstin estava convencido de que as pessoas passaram a esperar mais dramaticidade e inovação do mundo que realmente existe, e que isso levou à criação do que denominou “pseudoeventos” – acontecimentos concebidos expressamente para serem relatados por jornalistas, mas eventos que não aconteceriam se não houvesse a oportunidade de serem transmitidos pela mídia.
O sentimentalismo tem seu espaço, mas não pode substituir a razão.

Do Blog do Louremar Alves

1 comentários:

  1. BOECHAT MITOU AO HUMILHAR MALAFAIA — MAS COMO FICAM AS IGREJA$ EVANGÉLICA$ DA BAND? POR KIKO NOGUEIRA.

    Boechat mitou ao humilhar malafaia e disse“Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me encha o saco. Você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia. Você gosta é muito de palanque, eu não vou te dar palanque porque tu é um otário”.

    Ricardo Boechat mitou ao falar no rádio uma verdade ancestral, com tom de malandro carioca, a uma das figuras mais execráveis da vida pública brasileira.

    Tudo no espaço de um dia. Silas Malafaia havia externado seu descontentamento com o jornalista depois que ele atribuiu as pedradas que uma menina recebeu ao sair de uma festa do candomblé à pregação odienta de evangélicos.

    A resposta de Boechat motivou um último ataque histérico do pastor, que o desafiou para um debate e avisou que vai processá-lo: “Eu vou dar a oportunidade na justiça para ele provar o que disse de mim no microfone”.

    Malafaia é imbatível na arte de ser um pulha, prova isso todos os dias e a invertida que levou está ribombando em sua alma e em alguns órgãos de seu corpo, graças a Javé. Agora: Boechat, provavelmente, se meteu em uma fria, e não apenas por causa do processo.

    As igreja neopentecostais são responsáveis por uma fatia enorme do faturamento do Band. No começo do ano, diversos contratos foram fechados. Houve um acerto com a Igreja Internacional da Graça de Deus, do tal Missionário R.R Soares, com a Universal e com, veja bem, a Assembléia de Deus Vitória em Cristo, de Malafaia.

    Menciona-se a quantia de 300 milhões de reais com as cessões de espaço na TV. Soares, por exemplo, com suas canções malucas para o Senhor, ocupa o horário nobre. A IURD fica na madrugada. Malafaia entra ao meio dia de sábado. As manhãs dos finais de semana também são alugadas

    Como era de se esperar em se tratando deste grande caráter, Silas já prometeu no Twitter: “Vou perguntar ao meu amigo Johnny, dono da Band, se a política do grupo é caluniar e difamar pessoas. UMA VERGONHA!”

    A essa altura, ele provavelmente já falou mesmo com Johnny e a roda está girando. Só para lembrar: Rafinha Bastos foi demitido do CQC por causa de uma piada estúpida com a mulher de Marcos Buaiz, sócio de Ronaldo Fenômeno.

    A grana evangélica opera milagres na Bandeirantes. Tomara que Boechat escape de uma retaliação tão baixa. A imagem da emissora sofreria um dano enorme (embora o que valha, nessas horas, seja a grana, e dane-se a imagem). De qualquer maneira, Boechat já marcou um ponto inesquecível. Resta esperar que o pastor atenda a sua recomendação e encontre o que lhe falta há décadas: uma rola de proporções bíblicas.

    Não sei porque isso só Deus sabe e sonda o homem e a mulher, devemos fazer uma reflexão onde a Bíblia fala sobre a língua.

    Edmilson Moura.
    Blog REBELDE SOLITÁRIO.

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