segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Coronel preso no Rio já foi "caveira" e transferiu PMs para manter esquema

Hanrrikson de Andrade e Paula Bianchi
Do UOL, no Rio
  • Fontenelle comandava o COE e era o terceiro homem na hierarquia da PM no Rio
    Fontenelle comandava o COE e era o terceiro homem na hierarquia da PM no Rio
Preso na manhã desta segunda-feira (15) em sua casa, no Leme, na zona sul do Rio de Janeiro, em uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro que busca desarticular uma quadrilha de policiais militares suspeitos de cobrar propina de moradores e comerciantes na zona oeste do Rio, o coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro é visto pelo MP como o líder do grupo. Terceiro homem na hierarquia da Polícia Militar do Rio de Janeiro, ele fez questão de manter-se cercado pelos oficiais envolvidos no esquema quando foi transferido de batalhão.

"Caveira", nome dado aos PMs que passaram pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais), o coronel tem 44 anos de idade e 24 de Polícia Militar. À frente do COE (Comando de Operações Especiais) desde agosto de 2013, tinha sob o seu comando o Bope, o Batalhão de Choque, o Grupamento Aeromóvel e o Batalhão de Operações com Cães.

Em setembro de 2010, Fontenelle assumiu o comando do recém criado 41º Batalhão, em Irajá. De lá, seguiu para o comando do 14º Batalhão, em Bangu, onde estão lotados a maior parte do policiais militares suspeitos de fazerem parte da quadrilha. Segundo o promotor Cláudio Calo, a quadrilha já ordenava a cobrança de propina em Irajá e, ao mudar de batalhão, o coronel fez questão de manter ao seu lado os policias que participavam do esquema.

Calo explicou que o grupo se organizava como uma empresa de sociedade anônima. Cada policial tinha uma atribuição definida previamente: desde as equipes de policiamento ostensivo (que faziam a arrecadação nas ruas) até oficiais do comando do batalhão, responsáveis pela distribuição do dinheiro. "Era uma verdadeira holding criminosa militar", afirmou.

Segundo a promotoria, Fontenelle e seus subordinados se preocupavam também em evitar uma eventual discórdia entre os policiais do segundo escalão da quadrilha. Um dos PMs presos nesta segunda, de licença em casa após ser atropelado, recebia "propina a domicílio".
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Violência policial no Rio de Janeiro

15.set.2014 - A Corregedoria da Polícia Militar e dois promotores do Ministério Público Estadual do Rio apreenderam R$ 287 mil na casa do major Edson Pinto de Goes, que está foragido. A ação foi resultado de uma operação que terminou com a prisão de 22 PMs acusados de extorsões na área do batalhão de Bangu, zona oeste da cidade, contra comerciantes ou motoristas de vans Divulgação/Secretaria de Segurança do Rio
 
Oficialmente, o coronel recebia como comandante do COE R$ 32.251,41 brutos e R$ 17.107,29 líquidos; o governador e candidato à reeleição, Luiz Fernando Pezão (PMDB) ganha R$ 21.968,14 brutos em R$ 16.330,43 líquidos.
Procurada, a Polícia Militar informou que não se manifestaria sobre o assunto, que está a cargo da Secretaria de Segurança. Os advogados dos PMs envolvidos também não foram localizados.

14º Batalhão

O 14º Batalhão tem sido envolvido com frequência em denúncias de corrupção de policiais. Em abril de 2013, durante a Operação Compadre, que deu origem a ação desta segunda, a polícia cumpriu 78 mandados de prisão, 53 deles contra policiais militares, muitos deles do 14º BPM, para a desarticulação de uma quadrilha que realizava cobranças de propina de feirantes e comerciantes com mercadorias ilícitas em Bangu.

Já em janeiro de 2011, o tenente-coronel Djalma Beltrami foi preso sob suspeita de participar de um suposto esquema de propinas cobradas de traficantes de drogas quando era comandante do 14º BPM. Em 2009, o então comandante do 14º BPM, coronel Celso Lacerda Nogueira, foi condenado a sete anos de reclusão, além da perda do cargo, acusado de participar de uma quadrilha que chefiava grupos criminosos cuja rivalidade pelo domínio do jogo ilegal causou dezenas de mortes na zona oeste do Rio.

Esquema

De acordo com a investigação, os policiais cobravam taxas para facilitar ou não reprimir diversos tipos de serviço, sendo a maioria associada ao transporte de passageiros e de carga. Para liberar um mototaxista sem carteira de habilitação, por exemplo, os PMs exigiam pequenas quantias. Já para liberar entregas de eletrodomésticos, móveis, entre outros produtos, a propina podia chegar até a R$ 2.000.

O faturamento total dos criminosos ainda está sendo calculado. Durante a operação, os agentes apreenderam quantias de R$ 287 mil e R$ 33 mil, respectivamente, nas residências de dois dos policiais presos. Foram expedidos pela Justiça 25 mandados de prisão. Duas pessoas são consideradas foragidas.

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