sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A indústria das lideranças políticas no interior

Candidatos a deputado federal e estadual reclamam de achaque de até R$ 80 mil em troca de votos. Vereadores, ex-vereadores e até suplentes de vereadores são os que mais cobram pelo apoio a um candidato, como se donos fossem dos votos do eleitor


http://www.cronicacurico.com/media/users/3/181647/images/public/18069/1382371253277-Dibujo.JPG?v=1382285225055Candidatos a deputado federal e estadual,  de todos os partidos, reclamam dos custos da campanha no interior – e principalmente da cobrança aberta que lideranças políticas fazem em troca de voto.
Virou uma espécie de indústria o apoio eleitoral no interior, estimulada, sobretudo, por candidatos de primeira viagem, com os bolsos cheios de dinheiro e pouca experiência para conquistar o eleitor.
Vereadores, ex-vereadores e até suplentes de vereador chegam a cobrar R$ 80 mil, R$ 100 mil por um “punhado de votos” em determinado município.
- O pior é que os candidatos acabam se sujeitando, já que precisam de lideranças em suas reuniões, comícios e palestras no interior. Montar palanque sem liderança em uma cidade é pedir para ser ignorado - lamenta um candidato a federal que se demonstra cansado dos achaques.
A indústria do voto funciona assim: um vereador senta com um candidato a deputado e mostra sua capacidade eleitoral, baseada na própria votação que obteve nas eleições municipais. A partir daí, negocia um valor fixo – em milhares de reais – para apoiar o tal candidato.
E vira um leilão.

vereadorOutros candidatos, com bala para gastar, negociam com vereador já comprometido, oferecendo mais, gerando uma inflação eleitoral sem controle.
Esta inflação eleitoral começou no governo José Reinaldo Tavares (PSB).
Obcecado por derrotar o grupo do senador José Sarney (PMDB) – que o inventou para a política – Tavares resolveu gastar os tubos de dinheiro em troca de apoio. E conseguiu seu intento, embora mais tarde o seu candidato, Jackson Lago (PDT), tenha tido que devolver o governo por corrupção eleitoral.
Mas na era JR Tavares, a compra de lideranças ainda tinha um certo verniz oficial.
Naquela época, o dinheiro era repassado a associações comunitárias de todos os tipos, geralmente controladas por esses vereadores, ex-vereadores e suplentes de vereadores. Cabia à associação a prestação de contas do que foi usado.
Como fim deste esquema, a negociação passou a ser aberta e direta, com o próprio vereador.
E fica difícil pegar as negociações, já que são feitas nas sombras, sem recibo ou qualquer documento.
E o custo do voto só aumenta para candidatos e partidos.
E principalmente para a democracia…

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