terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Vergonha: Correão é interditado por falta de portas nos banheiros, reforma em suas instalações elétricas e para-raios queimados, portões são fechados para o torcedor e BEC perde de 1 a 0 para o Balsas

Prefeito José Alberto Oliveira Veloso, quando da primeira vistoria, alegou através do secretário de obras que o município não dispõe de recursos para cobrir esses gastos.
José Luís Nery Corrêa, o incentivador.
Eu poderia me furtar até mesmo de escrever esse artigo porque considero que a manchete já explica tudo.
Então tudo que eu escrever aqui vai até parecer irascível. Espero que você não considere assim.
Tenho 55 anos completos, como muito bem diz a minha mãe Nair Cordeiro de Moraes Carvalho.
Conheço o Estádio Municipal José Luis Nery Corrêa, o Correão, desde os tempos em que ele ainda era conhecido como Campo do Operário.
Ali aos domingos assisti muitos jogos do Botafogo, Santos, América da Tresidela, Tamandaré, Tupã, Campinense, Estrela do Oriente e muitos outros times cujos nomes agora não me vêm a memória.
Durante a semana batia minhas peladas nos finais de tarde dividindo o campo de jogo em dois, sempre ao lado de Canguito, Pão, Mingo, Zé Orlando, Toinho, Zé Filho, Zé Neto, Tuneco, Antonio Orlando, Flávio Feijão e outros amigos que os arquivos da minha memória na abrem agora.
O time do Botafogo de 1954 no velho Campo
do Operário
Acompanhei a primeira reforma, ou ampliação, feita por Dr. Juarez, quando o Operário ganhou o nome de Correão – homenagem justíssima ao desportista e enfermeiro José Corrêa -, assim como a fundação e crescimento do Bacabal Esporte Clube(BEC).
Cansei de vir de São Luis aos domingos nos velhos e surrados ônibus do Expresso Timbira para assistir aos jogos do BEC, surpreendendo minha mãe e meu velho pai.
O velho Correão tinha um gramado sofrível, lamacento, mas da pequena arquibancada de cimento e da desconfortável arquibancada de madeira, além das dezenas de pequenos camarotes, emanava um calor humano extraordinário.
Depois veio o advento da iluminação artificial, se eu não estiver enganado, colocada pelo prefeito José de Sousa e Silva Filho, o famoso Dr. Cazuza.
O jogo de inauguração foi BEC e Ceará Sporting, narrado por Luciano Silva para a Rádio Difusora AM.
O BEC era grande. Tinha Nascimento, Lambal, Pernambuco, Nabor e Joãozinho – só para citar alguns nomes. No velho Correão passaram ainda o São Paulo e América Mineiro. Tempos áureos.
Com João Alberto Sousa Governador o velho estádio ganhou vida nova, se modernizou, passou a ser um dos melhores e mais importantes do nordeste e o BEC foi campeão Maranhense.
O BEC de Lambal e Pernambuco no velho Correão em 1975
O fim do velho Correão e o nascimento do novo eu já acompanhei como jornalista fazendo a cobertura dos jogos para a boa Rádio Mirante FM.
Éramos eu, Jotha Erry, Vale Neto, Zé do Forró, André Araújo, Gilson Ricardo, Louremar Fernandes Taciê Andrade, Nilson Gomes e Osvaldo Maya.
Numa boa peleja com a Rádio Jainara AM de Osmar Noleto, enquanto o Correão era reconstruído, vagueávamos pelo Mereção e pelo campo do Colégio Leda Tajra.
Finalmente inaugurado, o estádio de Bacabal virou atração turística e referencia para o futebol de Maranhão.
O BEC, com Gilberto Lacerda presidente, trouxe Adílio e Andrade. Aqui vieram o Vasco da Gama e as seleções brasileira de máster e de novos. As modernas arquibancadas continuavam a emanar o mesmo calor humano.
O BEC Campeão Maranhense em 1996
Sob a gestão do prefeito Raimundo Lisboa o estádio recebeu sua primeira e única grande reforma, ganhou cadeiras e bancou jogos importantes de grandes competições nacionais.
O BEC voltou a ser grande. Nomes como Yan e Sérgio Manoel Vestiram a camisa azul do Leão do Mearim. As arquibancadas se tornaram local de festa, sempre lotadas emanando um calor humano ainda muito mais forte.
Agora, eu que viajei dezenas de vezes de São Luís para cá, que laborei na lama, destetei os gols do atacante Carimbó, vivi a felicidade de ver o BEC campeão e alegria dos integrantes da fúria brandindo cânticos, sou obrigado a escrever essa manchete aí de cima.
O belíssimo Correão por dentro...
Saber que, pela primeira vez na sua história o BEC jogou uma partida com o Correão de portas fechadas corta o coração.
Saber que esse grande estádio foi interditado porque o prefeito José Alberto Oliveira Veloso alega não ter e não disponibilizou recursos para reformar as instalações elétricas, comprar 10 ou 15 portas e 1 ou 2 pares de para-raios para esse estádio é de provocar asco em qualquer um, não tem explicação lógica.
Eu me sinto obrigado a me perguntar se José Alberto Oliveira Veloso não é bacabalense e não tem amor pela terra onde nasceu...
Só para encerrar o artigo. O novo treinador do BEC, Fernando Dourado, que assistiu a vexatória derrota da tribuna, mandou a diretoria dispensar quase 90 por cento do elenco. Vai contratar um novo time já visando o segundo turno do campeonato.
... e por fora.
O próximo jogo do BEC é fora de casa.
Isso deve dá tempo de sobra para o prefeito José Alberto Oliveira Veloso arrumar, dá um jeitinho em conseguir essa fortuna para comprar os para-raios, as portas dos banheiros e mandar reformar as instalações elétricas.

É de dá pena!


Do Blog do Abel Carvalho

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