terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Testemunhas do Caso Décio Sá não confirmam depoimento feito à polícia


03/02/2014 19h18 - Atualizado em 03/02/2014 19h18

Vigia e garçom de bar onde ocorreu crime estavam entre os ouvidos.
Durante a manhã, testemunhas oculares também prestaram depoimentos.

Do G1 MA
Começa júri popular de dois dos 11 acusados da morte do jornalista Décio Sá  (Foto: Reprodução/TV Mirante)Começa júri popular de dois dos 11 acusados da morte do jornalista Décio Sá (Foto: Reprodução/TV Mirante)
 
Uma pessoa que trabalhava como vigia e outra como garçom do bar onde ocorreu o assassinato do jornalista Décio Sá, na Avenida Litorânea, além de um caseiro de um dos acusados do crime, estiveram entre as testemunhas ouvidas na tarde desta segunda-feira (3), no primeiro dia do julgamento dos acusados Jhonathan Silva e Marcos Bruno Silva. Jhonathan é assassino confesso do jornalista e, Marcos Bruno, que se diz inocente, é acusado de dirigir a motocicleta que deu fuga ao executor na noite do crime. O julgamento vai até quarta-feira (5).
Uma das testemunhas afirmou que trabalhava no local do assassinato há um mês e meio, e que atendeu Décio Sá duas vezes nesse período. Ao ser perguntado pelos promotores de justiça, ele, assim como outra testemunha, hesitou em confirmar trechos de seu depoimento feito à polícia.

Perguntado pelos advogados de defesa, a testemunha afirmou que não conseguiria identificar o motoqueiro que teria esperado Jonathan. A pedido das testemunhas, os primeiros depoimentos foram prestados sem as presenças dos acusados.

Manhã
Durante a manhã, outras três testemunhas foram ouvidas no Fórum Desembargador Sarney Costa, em São Luís. A viúva de Décio, Silvana Sá, foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local. Por volta de 10h, o juiz titular da 1ª Vara de Júri de São Luís, Osmar Gomes, declarou aberta a sessão e explicou as regras do júri.
 Das 11 testemunhas arroladas para o primeiro dia de julgamento, seis foram de defesa e cinco de acusação. Após ouvir a leitura da denúncia, a primeira a ser chamada foi uma irmã do acusado Marcos Bruno e ex-mulher de Shirliano de Oliveira, o Balão, que está foragido.Por conta do grau de parentesco com um dos acusados, já que ela não seria irmã de sangue de Marcos Bruno, ela é considerada informante, não sendo obrigada a fazer o juramento pela verdade. Em seu depoimento, a testemunha disse que o irmão Marcos Bruno sempre foi uma pessoa trabalhadora e nunca esteve envolvido com crimes.
Outra testemunha presenciou a fuga do assassino. Ela fazia parte do grupo evangélico que fazia orações em uma duna da Praia de São Marcos, na Avenida Litorânea, no dia em que Décio Sá foi assassinado. O grupo teria visto Jhonathan subir o morro de areia momentos depois do crime. A testemunha reconheceu o assassino, confirmou que ele segurava algo por baixo da camisa e deixou as sandálias no local. No entanto, ela declarou que não podia confirmar se era Marcos Bruno quem pilotava a motocicleta.
Arrolado pela acusação, um segundo integrante do grupo evangélico também depôs. A testemunha também reconheceu Jhonathan e não confirmou ter visto Marcos Bruno.
Outras oito testemunhas estão previstas para prestarem depoimento na tarde desta segunda-feira (3).

Fase de instrução

Onze dos 12 acusados do assassinato do jornalista serão levados a júri popular. Além de Jhonathan Silva e Marcos Bruno, serão julgados por representantes da sociedade civil Shirliano de Oliveira, o Balão, acusado de auxiliar o assassino; José Raimundo Sales Chaves júnior, o Júnior Bolinha, acusado de intermediar a contratação do pistoleiro; os policiais Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros, acusados de participar de reuniões para tratar do assassinato de Décio Sá e do empresário Fábio Brasil; Elker Farias Veloso, acusado de auxiliar o assassino e a quadrilha tanto no assassino de Décio Sá quanto no de Fábio Brasil; o capitão da PM Fábio Aurélio Saraiva Silva, o Fábio Capita, acusado de fornecer a arma do crime; Fábio Aurélio do Lago e Silva, o Bochecha, acusado de hospedar o assassino após o crime; os empresários Gláucio Alencar Pontes Carvalho e José de Alencar Miranda Carvalho (pai de Gláucio), acusados de mandar matar Décio Sá.
A advogado Ronaldo Ribeiro, que trabalhava para os mandantes Gláucio Alencar e José Miranda, foi excluído do júri na fase de instrução do processo por falta de provas.
Jornalista Décio Sá foi morto a tiros no dia 23 de abril em São Luís (Foto: Reprodução/ Globo News) 
Jornalista Décio Sá foi morto a tiros no dia 23 de
abril em São Luís (Foto: Reprodução/ Globo News)
 
Assassinato
O blogueiro e jornalista Décio Sá foi morto com seis tiros quando estava em um bar, na Avenida Litorânea, em São Luís, por volta das 23h de 23 de abril de 2012. Ele tinha 42 anos e há 17 trabalhava na editoria de política do jornal O Estado do Maranhão. Era responsável pelo Blog do Décio.
Segundo a polícia, Décio foi morto porque teria publicado em seu blog informações sobre o assassinato do empresário Fábio Brasil, envolvido em uma trama de pistolagem com os integrantes de uma quadrilha supostamente encabeçada por Glaucio Alencar e José Miranda, suspeitos também de praticar agiotagem junto a mais de 40 prefeituras no Estado.

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