segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Investigador da Denarc revela o caminho que a droga faz até chegar ao Maranhão

Douglas Cunha Publicação: 28/10/2013 09:27


A falta de controle nas fronteiras brasilei¬ras e de fiscalização nas estradas do Ma¬ranhão são os grandes alia¬dos dos traficantes interna¬cionais que agem no estado. Com o trânsito livre, as dro¬gas pesadas como cocaína e pasta base, oriundas do Pa¬raguai e da Bolívia, chegam a São Luís facilmente e seguem para outras regiões, notada¬mente para a Baixada Mara¬nhense, onde o narcotráfico é crescente.

A informação é do inves¬tigador da Polícia Judiciária, Erick Augusto Reis Silva, es-pecialista no combate ao trá¬fico de drogas, lotado no De¬partamento de Combate aos Narcóticos – Denarc, da Supe¬rintendência Estadual de In¬vestigações Criminiais (Seic). O policial civil afirma que o Denarc está desenvolvendo um trabalho intensivo de comba¬te ao narcotráfico, porém de¬fende que as ações deveriam ser voltadas para os grandes traficantes que trazem as dro¬gas do exterior para o Mara¬nhão.

“Fazendo apreensões de drogas e prisões de traficantes que trazem a droga da Bolívia e do Paraguai, causaríamos sérios prejuízos aos trafican¬tes e com isso faríamos com que fosse reduzida a oferta da droga e a consequente alta de preços, tornando a droga me¬nos acessível aos viciados de menor poder aquisitivo”, as¬severa Erick Augusto.

O investigador disse que, conforme levantamentos re¬alizados pelas autoridades do Denarc, a droga consumida no Maranhão vem de duas ori¬gens: Bolívia e Paraguai. “Os traficantes que adquirem a droga na Bolívia, saem da¬quele país e entram no Brasil por Cáceres, no Mato Grosso, passando pela zona rural de Cuiabá e Barra do Garças, Água Boa, naquele estado, indo para São Félix do Araguaia, Gurupi, Araguaina e Tocantinópolis, no estado do Tocantins, e então chegam ao Maranhão, através de Imperatriz, e dali seguem pela BR- 222 por Açailândia, Santa Luzia do Tide, Igarapé do Meio, Vitória do Mearim, Ara¬ri e Miranda do Norte e então seguem pela BR-135, rumando para a capital por Santa Rita, Bacabeira e entrando pela Es¬tiva em São Luís.

Segunda rota

A outra rota é feita pelos trafi¬cantes que partem do Paraguai e entram no Brasil pela cidade Bela Vista, no estado Mato Grosso do Sul, rumando por Aquidauna e Caxias, naquele estado, indo para Rondonópolis no Mato Grosso e dali para Barra do Garça, São Félix do Araguaia e Araguaina, no Tocantins, atravessando para o Maranhão por Carolina e se¬guindo para a capital por Estrei¬to, São João do Paraíso, Grajaú, Barra do Corda, Presidente Du¬tra, Peritoró, Itapecuru-Mirim, Santa Rita, Bacabeira, chegan¬do à capital pela ponte sobre o Estreito dos Mosquitos.

Conforme Erick Augusto, da capital é que a droga segue para a Baixada através da Ponta da Es¬pera e Cujupe, sendo distribuída nas cidades da região como Pi¬nheiro, Peri-Mirim, Presidente Sarney, Santa Helena, Guimarães, Cururupu, Bacurituba, São Ben¬to, Mirinzal, Apicum-Açu, São Vicente Ferrer e outras.

O grande problema, confor¬me avalia o investigador Erick, é a falta de contingente para co¬brir um estado de grande exten¬são demográfica, tornando im¬possível um fiscalização mais efetiva nas rodovias, de forma conter o fluxo da droga por via terrestre. “Temos também um grande problema com as dro¬gas mais sofisticadas como o LSD e o ecstasy, que chegam a São Luís, por via aérea”, disse o policial. Para Erick, o Maranhão vive um momento difícil com o que chamou de “Epidemia do Crack”, uma droga muito forte e altamente prejudicial, visto que causa imediata dependência naqueles que a experimentam.

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