terça-feira, 24 de setembro de 2013

Reservatório do Batatã pode secar em 30 dias e ser a pior crise no abastecimento

Com o fim iminente da represa do Batatã, especialista alerta para o risco de São Luís enfrentar a pior crise no abastecimento de água de sua história


Michel Sousa
O Imparcial
Publicação: 24/09/2013 09:22 Atualização: 24/09/2013 09:42
 


 
A represa do Batatã está com os dias contados e pode desencadear a pior crise no abastecimento de água da história de São Luís. Até o final de outubro o reservatório, situado dentro do Parque Estadual do Bacanga, estará completamente seco. A afirmação é de Inácio Amorim, supervisor de Gestão das Unidades de Conservação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (Sema) que atribuiu como consequências para a existência do problema às condições climáticas, a alta demanda de água e às ações do próprio homem, como o assoreamento causado pelo excesso de ocupações do entorno.

Apesar da situação, o presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), João Reis Moreira Lima, afirmou que o investimento no sistema de águas subterrâneas - poços artesianos - e o processo de modernização dos três sistemas de produção serão suficientes para que a cidade não padeça mais com o problema de falta d’água ou pelo menos diminuirá o racionamento feito na maioria dos bairros da ilha.

Em entrevista, exclusiva, a O Imparcial, João Reis garantiu que ainda neste ano os cinco poços dos sistemas do Sacavém e Paciência estarão em atividades o que representará o aumento no sistema de produção e distribuição de água da capital. “A Caema está trabalhando nos três grandes sistemas: Italuís, Sacavém e Paciência. Com relação ao sistema do Sacavém já perfuramos cinco poços e estamos perfurando mais um para melhorar a produção de água. O sistema paciência também teve a perfuração de cinco poços e acredito que até dezembro ou janeiro já esteja em operação”, afirmou.

Além disso, o gestor da Caema confirmou o prazo de finalização das obras de otimização do sistema Italuís e minimizou a necessidade de racionamento de água após melhorias nos três sistemas. “Com a reforma do Italuís vai haver um aumento da produção de água que vai resolver o problema de distribuição a partir de março. Se tiver racionamento vai haver onde tem poços isolados. Onde existe um sistema integrado é muito difícil ter racionamento” completou.

Águas subterrâneas em risco

No entanto, os poços artesianos vistos como uma alternativa para o problema no abastecimento de água, não são a solução na visão do supervisor de gestão das unidades de conservação da Secretaria de Meio Ambiente, Inácio Amorim.

Com a grande demanda, as águas dos poços artesianos acabam secando após um tempo, e o espaço vazio que antes era ocupado por água doce começa a receber água salgada. “É assim que acontece a salinização dos poços artesianos. Para isso não ocorrer, é necessário fazer o teste de vazão do poço no momento da perfuração. Só através disso é possível verificar a quantidade de água que poderá ser retirada diariamente do poço”, observou Inácio Amorim que ainda alertou para a possibilidade do volume de águas subterrâneas pode acabar por causa da grande quantidade de poços.

A perfuração deve seguir normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o que nem sempre ocorre. Sem a utilização das técnicas, aumenta a chance de contaminação do lençol freático, inutilizando a água. Outro fator que também contamina os lençóis subterrâneos é a presença de lixões e esgotos estourados próximo às reservas de água.

A Secretaria de Meio Ambiente tem vários projetos para evitar isso como, por exemplo, os trabalhos visando frear as ocupações irregulares que contribuem para a redução da capacidade hídrica. Outra medida adotada pela Sema tem sido o reflorestamento das áreas assoreadas com o intuito de voltar a favorecer a reserva dos lençóis freáticos.

Bairros abastecidos pelo Batatã (Sistema Sacavém)

Centro, São Pantaleão, Madre Deus, Goiabal, Codozinho, Vila Bessa, Belira, Lira, Areinha (parte), Macaúba, Apicum, Camboa, Vila Bangu, Diamante, Vila Passo, Corea de Baixo e Corea de Cima, Sítio do Meio, Alto de Boa Vista, Retiro Natal, Liberdade, Tomé de Sousa, Fé em Deus, Floresta, Monte Castelo (parte).

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