segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Forte estiagem castiga a vida do sertanejo maranhense

Sem água, agricultores perderam as lavouras e estão sem ter o que comer.
Setenta municípios maranhenses já decretaram situação de emergência.

Alex Barbosa TV Mirante

No interior do Maranhão, a seca castiga o homem do campo. Sem água, há mais de três meses, agricultores que perderam as lavouras estão sem ter o que comer. Não há pastagem e o gado está morrendo de sede e fome. (veja matéria completa no vídeo ao lado)
Fraco, com fome e sede, o gado já não consegue ficar em pé. A estrutura improvisada pelo criador evitou que ele tivesse o mesmo destino de outros animais.
Os açudes secaram. E o pasto desapareceu.
Sem água e sem pastagem, criadores trituram o talo da mandioca para usar como ração. Sem alternativa, o bagaço de cana também vira alimento. “Estamos trazendo bagaço de cana lá de outra região, para o gado comer”, disse o auxiliar-técnico Agnaldo Queiroz.
A seca atinge principalmente os municípios na divisa com o Piauí. Na região, o que era verde, mudou de cor. Não é pra menos. De acordo com o núcleo de meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), do começo do ano até agora choveu apenas a metade do previsto para o período. Setenta municípios maranhenses já decretaram situação de emergência. Em alguns municípios não chove há três meses.
Em um descampado deveria estar a maior lagoa do Maranhão, a Lagoa Bacuri. Mas parte dela secou. O que restou dela serve como uma das poucas fontes de água para quem vive por aqui. Gente que muitas vezes tem de caminhar por mais de uma hora para matar a sede.
É o que faz o lavrador Leduíno dos Santos todos os dias. Da lagoa, sai a água para o consumo da família, apesar da aparência barrenta e o gosto ruim. “É pra beber, cozinhar... A gente tem [medo de consumir esse tipo de água], mas não tem outro ‘apelo’. É entregar para Deus. Não tem outra opção. É essa daqui”, disse o lavrador.
As crianças também sofrem. O menino segue de pés descalços no chão quente empurrando a bicicleta com a água ladeira acima. Eles, carregam a água do jeito que podem para ajudar as famílias durante a estiagem. “Tem que buscar [água] de dois em dois dias lá na fazenda, porque aqui não tem. Demora mais ou menos uma hora”, disse Jaílton Queiroz.
Um grupo de lavradores tentou cavar um poço artesiano pra diminuir o sofrimento na comunidade onde moram. Após um mês de trabalho, desistiram. Foram 40 metros de escavação, sem qualquer sinal de água. “É rezar para chover e se deus não ouvir as preces, é só sofrimento”, lamentou.
Até a próxima chuva, imagens como essa vão continuar fazendo parte do cenário seco da estiagem.

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