segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Cidade maranhense recebe maior número de cubanos do Mais Médicos


Mariana Tokarnia
Da Agência Brasil, em Chapadinha (MA)




Profissionais começam a atuar no programa Mais Médicos

23.set.2013: A Secretaria Estadual de Saúde realiza cerimônia para receber os profissionais do programa Mais Médicos na União de Municípios da Bahia (UPB), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, na manhã desta segunda-feira (23). Os médicos estrangeiros foram encaminhados aos municípios baianos em que irão atuar. Houve também a entrega dos jalecos com o logotipo do programa governamental Leia mais Marco Aurélio Martins/Estadão Conteúdo
Recém-chegados no último fim de semana, os seis médicos cubanos do Mais Médicos aproveitaram o dia para conhecer os colegas com quem irão trabalhar, os postos de saúde onde atuarão e a casa em que irão morar em Chapadinha, no interior do Maranhão. A cidade foi a que mais recebeu médicos cubanos pelo programa Mais Médicos, ao todo seis profissionais.
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Eles ainda aguardam o registro provisório, que será emitido pelo Conselho Regional de Medicina, mas a expectativa é que comecem a atender na próxima semana.
Chapadinha tem 76 mil habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no entanto, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a cidade atende a mais 16 municípios vizinhos, totalizando 350 mil pessoas. A cidade dispõe de um hospital e 14 postos de saúde, sendo que o corpo médico atual soma 32 profissionais, que se dividem entre a atenção básica e a especializada.
Com a chegada dos cubanos, os profissionais poderão voltar-se à atenção especializada, já que os estrangeiros se ocuparão da atenção básica. "A gente vai conseguir levar para a população a assistência médica e bloquear a ida dos pacientes para o hospital por problemas que podem ser resolvidos no posto de saúde perto da casa dele", explica o secretário de Saúde, Charles Bacelar. "Temos no hospital, um grande número de internações relacionadas à atenção básica".
Nesta segunda-feira (23), Bacelar explicou aos médicos durante uma reunião como e onde atuarão e, em seguida, cada um deles conheceu a futura sala de atendimento.

Demagogia eleitoreira

  • A questão dos médicos estrangeiros caiu na vala da irracionalidade. No meio desse fogo cruzado, com estilhaços de corporativismo, demagogia, esperteza política e agressividade contra os recém-chegados, estão os usuários do SUS.

    Insisto que sou a favor da contratação de médicos estrangeiros para as áreas desassistidas, intervenção que chega com anos de atraso. Mas devo reconhecer que a implementação apressada do programa Mais Médicos em resposta ao clamor popular, acompanhada da esperteza de jogar o povo contra a classe médica, é demagogia eleitoreira, em sua expressão mais rasa.

    Leia, na íntegra, o artigo de Drauzio Varella
O médico Juan Montero terá de dividir a sala com a enfermeira brasileira Nitheyanna dos Santos. O posto de saúde de Bairro Novo é o que está em piores condições. O teto e as paredes estão com infiltrações e na sala de atendimento, apenas uma mesa, uma cadeira quebrada e uma maca. O local atende mil famílias e a prefeitura diz que já solicitou uma reforma.
"Aqui é mais ou menos parecido com o meu país, com o meu consultório", diz Montero. A partir da semana que vem, ele pretende acompanhar as visitas dos agentes comunitários.
"Primeiro, vamos apresentar a população para ele, para poder passar confiança. Ele está chegando agora e algumas pessoas ainda estão desconfiadas", diz Nitheyanna. Ela diz que vai ajudar o futuro colega com o português: "Os pacientes têm a linguagem deles. Chegam dizendo que estão com dor na bacia, nos quartos. Tem vezes que nem a gente entende. Temos que pedir para eles mostrarem onde é a dor".
No posto, a procura por consulta é disputada. Com apenas um médico duas vezes por semana, as consultas são todas agendadas. "Já teve até briga. Chegou um senhor procurando consulta e só tinha para o fim do mês. Ele ficou bravo e voltou com uma faca. Tivemos que conversar bastante com ele para se acalmar". O médico cubano trabalhará 40 horas semanais. Com isso, os pacientes serão atendidos por ordem de chegada.
Já o posto de saúde de Areal foi recentemente reformado. Juan Carlos Rojas terá uma sala só para ele. O número de pacientes, no entanto, é maior, são 4 mil famílias cadastradas. Lá, a visita à comunidade é obrigação. Um ou dois dias da agenda do médico serão dedicadas às visitas aos pacientes acamados que não têm condições de ir ao posto e às famílias, para dar orientações.
"O atendimento domiciliar é como a gente trabalha com a prevenção. É quando conhecemos a família, a área", explica a enfermeira Cleomara Caldas.
Na cidade, a maior parte das doenças pode ser evitada com a mudança de hábitos da população, de acordo com a secretaria de Saúde. No entanto, Chapadinha não tem saneamento básico adequado, e grande parte das doenças está relacionada com a água. A Pesquisa Saneamento Básico de 2008 do IBGE mostra que 17 mil casas tem água encanada, porém nenhuma conta com tratamento de esgoto.
Após as visitas, os médicos foram encaminhados à casa em que ficarão hospedados. O local ainda está recebendo os últimos reparos. Pelas regras do Mais Médicos, o município deve arcar com a alimentação e hospedagem. A prefeitura optou por comprar os alimentos e abastecer a casa. A prefeita Maria Ducilene Cordeiro diz que estuda um valor para repassar diretamente aos profissionais, mas ainda não tem uma estimativa.
A casa tem três quartos. Um deles é ocupado por Aicza Madelaine. Dois médicos dividem um cômodo e mais três, outro. A médica diz que pode ser "complicado" conviver com cinco homens por três anos - tempo de duração do programa. Já os rapazes queixam-se do quarto compartilhado. A prefeitura informou que está preparando uma segunda casa, para melhor acomodação.
Durante a semana, os médicos devem se ocupar em conhecer a população. A orientação é que façam palestras nos postos onde irão trabalhar.
A dona de casa Maria da Silva Araújo sofre de pressão alta, por isso vai ao médico uma vez a cada três meses para pegar a receita do remédio controlado. Com a chegada dos novos médicos, espera melhora no atendimento. "Vai ser bom, os médicos daqui, maioria vem de fora, as pessoas ficam sem médico. Graças a Deus, vai ficar melhor", diz Maria, que cuida de seis netos.

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