quinta-feira, 4 de julho de 2013

PMDB sugere reduzir número de ministérios para cortar gastos

  • Petistas reagem afirmando que aliado cede à oposição e ‘joga para a plateia’ na hora da crise
Paulo Celso Pereira e Luiza Damé

Dilma e Temer em ato no Planalto. Vice-presidente tentou sem sucesso acalmar fúria do PMDB
Foto: André Coelho / Agência O Globo
Dilma e Temer em ato no Planalto. Vice-presidente tentou sem sucesso acalmar fúria do PMDB André Coelho
BRASÍLIA - A rebelião de parlamentares do PMDB contra o governo se estendeu à reunião da Executiva Nacional do partido na noite de terça-feira. Após cerca de três horas de encontro, do qual participou o vice-presidente da República, Michel Temer, o colegiado, mais alta instância partidária, divulgou uma nota com um rosário de críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff, com a sugestão de que ela reduza o número de ministérios para enxugar a máquina e cortar gastos. Aliados de Dilma no Congresso reagiram dizendo que muitos, em momentos de crise, “jogam para a plateia”.
Dos sete pontos aprovados pela Executiva do PMDB, seis atingem a presidente: o apoio a um novo pacto federativo com desconcentração dos recursos das mãos da União para estados e municípios; a inclusão no plebiscito ou referendo que venha a ser feito sobre reforma política da reeleição e da mudança no tempo de mandato; a defesa da aprovação do projeto que destina 10% das receitas correntes da União para a Saúde; o apoio a um projeto de reforma política do próprio Congresso que será submetido a referendo; a redução do número de ministérios para redução de custos da máquina pública; e a defesa da manutenção da “plena observância” da Lei de Responsabilidade Fiscal para garantir o equilíbrio das contas públicas e o controle da inflação”.
O movimento foi capitaneado pela bancada de deputados federais do partido, sob comando do líder Eduardo Cunha (RJ), que já havia tratado de parte dos temas na reunião da bancada horas antes. Apesar de não integrarem o colegiado, os deputados da ala mais rebelde do partido foram ao encontro acompanhados dos parlamentares ligados à causa da Saúde. Esse fato, somado à ausência de vários senadores que integram a Executiva — tradicionalmente mais amenos nas críticas — levaram ao tom agressivo da nota final do comando nacional do partido.
Constrangimento para Temer
Para piorar o constrangimento, o vice-presidente Michel Temer era um dos presentes durante todas as três horas de encontro. Segundo seus interlocutores, Temer tentava desde cedo baixar a fervura na relação entre o partido e o governo, e chegou a reunir alguns caciques da legenda na residência oficial do Jaburu durante o almoço com esse objetivo.
A reunião da tarde da bancada, no entanto, deu o efeito oposto. A insatisfação dos parlamentares peemedebistas — deputados e senadores — com as posições do governo só cresce desde que a presidente Dilma começou a anunciar publicamente propostas que devem ser tomadas pelo Parlamento ou que o afetam diretamente, como a de uma Constituinte exclusiva e a de um plebiscito sobre a reforma política. Aumentou ainda mais depois que ela sugeriu, como parte da reforma política, o fim do voto secreto no Congresso e o fim da suplência sem votos de senador.
— Antes existia o PMDB da Câmara e o PMDB do Senado. Hoje, o partido está homogêneo. Eles (o governo e o PT) sempre cantaram de galo. Agora é nossa vez de ser protagonista — dizia nesta quarta-feira o senador Vital do Rêgo (PB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Diante do rol de problemas recentes, como a queda da popularidade da presidente Dilma, o Planalto preferiu minimizar o problema e tratá-lo como uma questão menor. Perguntado sobre o resultado da reunião do PMDB, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, reafirmou que o PMDB é o “principal parceiro” do Planalto e que integra o governo.
— É natural que o partido tenha liberdade de se manifestar. Confiamos no debate e na nossa capacidade de convencer os parlamentares da conveniência do plebiscito. Sobre outras opiniões do partido, isso é natural — disse Gilberto. — O PT também tem divergências manifestas. Quando se faz uma aliança política, você faz entre diferentes, não entre iguais. Então, bem-vinda a divergência, o importante é convergir nos pontos centrais — acrescentou.
No Congresso, no entanto, petistas reclamaram de a crítica do PMDB sair justamente no momento em que há uma crise provocada pelo barulho das ruas nas últimas semanas. Para o senador Jorge Viana (PT-AC), o momento é impróprio, ainda que haja fundamento na proposta:
— Nesse momento de dificuldade, muitos jogam para a plateia. O governo não pode cair nessa armadilha. As medidas que o governo precisa não têm que estar vinculadas a 2014 — disse o petista, reconhecendo: — Mas acho que é um problema para nós esse gigantismo do governo. O Brasil precisa de um governo forte, mas o ideal é que seja sem esse gigantismo.
Já para o vice-líder do partido na Câmara, Amauri Teixeira (PT-BA), o PMDB está adotando o discurso da oposição:
— Essa mística de que vai se reduzir gasto com redução de ministérios não é verdadeira. Não enxergo isso como solução para o equilíbrio fiscal. O PMDB está cedendo ao discurso da oposição, principalmente do PSDB e do DEM.

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