terça-feira, 18 de junho de 2013

Dilma classifica como ‘legítimas e democráticas’ manifestações pelo país

  • Presidente diz que vaia na abertura da Copa das Confederações não tem relevância
  • Gilberto Carvalho condena avaliações precipitadas sobre os atos dos últimos dias e diz que democracia é ‘complexa’
Luiza Damé Publicado:

BRASÍLIA — A presidente Dilma Rousseff falou, nesta segunda-feira, pela primeira vez sobre os protestos que ocorrem no país desde a semana passada. Segundo a ministra da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Helena Chagas, a presidente considera "legítimas e próprias da democracia" as manifestações pacíficas.
— As manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia. É próprio dos jovens se manifestarem — disse a presidente.
Na tarde desta segunda-feira, a presidente se reuniu com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que fez um relato das manifestações pelo país contra aumento das tarifas de ônibus urbanos e contra os gastos públicos na organização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.
A ministra da Secom disse que a presidente não comentou as vaias no estádio Mané Garrincha, na abertura da Copa das Confederações:
— Isso não tem relevância.
O ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, disse nesta segunda-feira que as manifestações em todo o país, seja contra o aumento de tarifas de ônibus, contra os gastos para organização da Copa do Mundo ou as vaias para Dilma fazem parte do processo democrático. Gilberto condenou avaliações precipitadas sobre os atos dos últimos dias e defendeu o diálogo com os movimentos sociais. O ministro disse que, assim como já afirmou a presidente, o problema é "o silêncio das tumbas e da repressão".
— Qualquer manifestação deve nos chamar a atenção e nos fazer perguntas. Houve vaia no estádio, mas houve aplausos, no mesmo momento, para a presidente Dilma aqui nos telões. Havia quase 200 mil pessoas aqui na praça. O que significa isso? Vamos com calma, vamos entender. Temos que ter a tranquilidade inclusive de não tirar conclusões precipitadas e compreender que o processo democrático é assim mesmo. A ditadura que é fácil. A democracia é assim mesmo, é complexa. Há momentos em que você ouve, em que você deve propor, momentos em que você determina. É um aprendizado que a gente vai fazer — disse o ministro.
— É bom que ninguém se precipite em tirar proveito político de um lado e de outro, porque acho que a coisa é mais complexa e diz respeito a um novo tipo de expressão política que o país começa a viver — afirmou.
O ministro se reuniu com representantes dos movimentos que organizaram protestos em Brasília, sexta-feira e sábado, nas imediações do estádio Mané Garrincha. Para Gilberto, os protesto realizados em várias cidades não ameaçam os grandes eventos que ocorrerão no Brasil, como a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo de 2014.
— Eu acho que de maneira alguma esses eventos vão por em risco os grandes eventos, porque a manifestação é própria da democracia. O nosso projeto político no país cresceu fazendo mobilização. Mobilização é muito benvida. Por isso que nós estamos preocupados em fazer uma discussão, uma aproximação, um diálogo, porque esses jovens tem alguma coisa a nos dizer. Esses jovens nos apontam angústias e, se alcançam grande repercussão de mobilização, correspondem ao anseio de muita gente. É próprio da nossa atitude ouvir, valorizar e trabalhar isso de modo que não haja nenhum tipo de problema para os grandes eventos. O duro, como já disse a presidente Dilma, é o silencio das tumbas e da repressão. Nós não vamos encaminhar para essa vertente — afirmou Gilberto.
No sábado, o ministro acompanhou a manifestações no Mané Garrincha e convidou os movimentos para uma reunião no Palácio do Planalto. Dois grupos distintos estiveram no Palácio: pela manhã, o Instituto Fiscalização e Controle, e à tarde, o Comitê Popular da Copa, organizadores do ato "Copa para quem?".
— Nós não vamos nos furtar do papel de assegurar a lei e a ordem. Agora, podemos fazê-lo e queremos fazê-lo sempre que possível de maneira pacífica, de maneira negociada, ainda que com todas as tensões — afirmou.
O ministro disse que não faria uma avaliação técnica da ação da Polícia Militar do Distrito Federal, mas afirmou que a orientação da presidente e do governador do DF, Agnelo Queiroz, é que as manifestações ocorram "sem qualquer forma de repressão". O secretário de Governo do DF, Gustavo Ponce de Leon, participou do encontro.
Segundo Edenilson Paraná, do Comitê Popular da Copa, o ministro se comprometeu em trabalhar para evitar a criminalização do movimento:
— O ministro reforçou a posição de evitar a criminalização dos movimentos sociais no Distrito Federal. Ele reforçou compromisso de evitar perseguição política, jurídica e midiática aos manifestantes que participaram dos atos de sexta e sábado.
Em nota, a Casa Civil disse que vai apurar a participação de servidores da Presidência na organização de manifestações. A Casa Civil disse que respeita "o direito à liberdade de expressar opiniões e convicções políticas dos servidores, assim como de qualquer cidadão, mas não pactua com qualquer ato que induza à violência ou ao vandalismo".
Gabriel Santos Elias, ex-funcionário da Secretaria de Relações Institucionais, participou da reunião com Gilberto. Ele disse que pediu exoneração para estudar e defendeu o direito do servidor de se manifestar.
— Todo o servidor público tem direitos civil e político garantidos. Eu já atuava no apoio aos movimentos sociais. Não acho que o fato de atuar nos movimentos sociais seja negativo. Ao contrário, o o governo deveria incentivar que os servidores participassem dos movimentos sociais.
Servidor da Secretaria Geral, Daniel Gobbi, disse que participa do Comitê Popular da Copa e que estava na manifestação de sábado, mas não na de sexta-feira, porque foi no horário de trabalho. Gobbi é concursado e disse ter conversado com o ministro sobre sua atuação.
— Ele me disse que eu poderia ficar tranquilo, porque meu direito de livre manifestação seria respeitado e garantido pela Secretaria Geral — afirmou o servidor.
Na noite de hoje, manifestantes invadiram a cobertura do Congresso Nacional em Brasília. A polícia não conseguiu conter os estudantes e por volta das 19h20 um grupo conseguiu romper a barreria policial e subiu na laje do Congresso, pelo lado esquerdo, sob as cúpulas. Mais cedo, alguns tentaram subir a rampa e foram impedidos pela Polícia Legislativa e a Polícia Militar. A polícia chegou a fazer uso de spray de pimenta para conter o grupo e o clima ficou tenso. O comando da PM estimou que 5 mil pessoas participam do protesto.

1 comentários:

  1. kkkk eu acho que estar sentindo que o povo estar abrindo os olhos,,,isso sirva de ex; o povo vai agir em Bacabal tambem...

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