terça-feira, 25 de junho de 2013

Após reunião, MPL diz que Presidência é despreparada

  • Depois de encontro com Dilma, representante do movimento afirma que manifestações continuam
André de Souza
Paulo Celso Pereira 
Luiza Damé 
Publicado:


Presidente Dilma Rousseff recebe os líderes do movimento Passe Livre
Foto: Jorge William / Agência O Globo
Presidente Dilma Rousseff recebe os líderes do movimento Passe Livre Jorge William / Agência O Globo
BRASÍLIA — Após o encontro de representantes do Movimento Passe Livre (MPL) de São Paulo e do Distrito Federal com a presidente Dilma Rousseff, nesta segunda-feira, líderes do movimento consideram importante a abertura do diálogo, mas disseram que o resultado da reunião não foi satisfatório e que as manifestações continuam. O MPL é um dos grupos por trás dos protestos que tomaram conta do país nos últimos dias, ao defender a redução da tarifa do transporte público.
Marcelo Hotimsky, um dos líderes do MLP, considerou a “Presidência despreparada para o debate”. As declarações de Hotimsky foram dadas antes de Dilma anunciar os cinco pactos que ela propõe para solucionar as demandas populares.
— A gente viu a Presidência completamente despreparada. Eles não mostraram nenhuma pauta completa para modificar a situação do transporte no país, que é de fato muito precária. Eles mostraram uma incapacidade muito grande de entender a pauta do momento, falaram que vão estudar e abriram este canal de diálogo que a gente considera importante sim — disse Hotimsky.
O jovem, no entanto, destacou dois aspectos positivos do encontro com a presidente Dilma:
— Ela falou que compreende o transporte público com um direito. E falou que ia trabalhar pelo controle social dos gastos em transporte — explicou o líder, reiterando que as manifestações continuarão.
— As manifestações seguem. A gente continua nas ruas. Continua fazendo os debates públicos. O movimento segue — disse Hotimsky.
Leila Saraiva, do MPL do DF, também participou da reunião. Ela reforçou o coro de que o governo está despreparado para tratar do tema.
- O governo nunca tinha discutido transporte com militantes aqui. A gente percebeu um despreparo gigantesco do governo em relação a esse tema. E é um tema que urge. As nossa cidades estão paradas por causa dos carros. Se não houver medidas concretas para mudar a lógica do transporte, a gente não vai conseguir ultrapassar essa crise que vai acontecer em breve: todas as cidades vão ficar paradas, além das pessoas que não conseguem se locomover por não poder pagar a tarifa. Então o diálogo é um avanço, por outro lado a gente precisa de medidas concretos do governo. Não adianta só falar - disse Leila.
Mayara Vivian, do MPL de São Paulo, disse que é importante ter diálogo com a presidência, mas que isso não basta. É preciso ter medidas concretas. De acordo com Mayara, o governo reconheceu o transporte como direito social. Ela discordou da posição de Dilma: segundo Mayara, a presidente falou da inviabilidade da tarifa zero para o transporte público.
- Ela (Dilma) entendeu que a pauta de tarifa zero é uma necessidade da população. Disse da inviabilidade, mas para a gente é uma questão política, e não uma questão técnica. Se tem dinheiro para construir estádio, tem dinheiro sim para tarifa zero. Se tem dinheiro para Copa do Mundo, tem dinheiro sim para a tarifa zero - afirmou Mayara.

Governo tem R$ 88,9 bilhões para investir em mobilidade urbana

O ministro Aguinaldo Ribeiro afirmou que esta é a primeira de várias reuniões com o movimento. Ele afirmou que o governo tem R$ 88,9 bilhões para investir em mobilidade urbana, dos quais cerca de R$ 30 bilhões já foram contratados. Disse também que uma das propostas discutidas foi a municipalização da Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre os combustíveis. Esse é um pleito dos prefeitos para ter recursos para poder investir no transporte público. Já a discussão da tarifa zero ficará para outro momento.
- Essa é um discussão que se fará em outro horizonte de prazo, até porque o sistema de transporte tem um custo. E a questão de gratuidade é alocar, saber como se pagará essa gratuidade. Essa discussão se dará em outro momento - disse Aguinaldo.
Segundo ele, apenas reduzir a tarifa não basta, se a qualidade do serviço continuar a mesma.
- Não adianta reduzir a tarifa fazendo com que o usuário leve o mesmo tempo no transporte que se tem hoje. Ou seja, você tem um transporte de má qualidade. Investir em infraestrutura é também reforçar a política de nível do serviço, de qualidade do serviço no transporte público coletivo - disse o ministro.
Ele afirmou que o governo federal está fazendo desonerações no setor, mas que isso não é suficiente, uma vez que é preciso ter a participação das outras esferas de governo.
- Isso passa por outro debate, desde a gestão municipal, como a participação dos governos estaduais.
Também participaram da reunião, pelo MPL de São Paulo, Matheus Nordon Preis e Rafael Breno Macedo Siqueira. Paique Duques, do MPL do DF, foi outro presente. Do lado do governo, além de Aguinaldo Ribeiro, participaram o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho; o secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência, Diogo Sant'ana; e a secretária nacional da Juventude, Severine Carmen Macedo.
Cerca de 20 manifestantes do movimento negro fizeram uma manifestação na frente do Palácio do Planalto durante a reunião. Eles carregavam faixas com mensagens direcionadas a Dilma, ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. "Dilma, exigimos cotas para negros em concursos públicos", diz uma das faixas. Outra delas muda apenas o nome: em vez de Dilma, aparece Alckmin.

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